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Big Data: somos realmente consumidores livres?

big data: somos realmente consumidores livres?

Big Data: somos realmente consumidores livres?

Por Dane Avanzi

De repente, você faz uma pesquisa de um determinado produto ou serviço na web e começa a receber e-mails e visualizar posts em suas redes sociais, exatamente do tema objeto da pesquisa. Coincidência? Infelizmente, não. Somos monitorados e observados por inúmeros softwares que nos rastreiam 24 horas na web, coletando nossos comportamentos, interesses e tendências de consumo. Como impedir isso? A alternativa é um pouco radical, até para as pessoas não muito conectadas: deixar de usar incontáveis serviços digitais, cancelar contas nas redes sociais, não fazer nenhuma compra pela internet, entre outras ações.

Tais pesquisas de tendências são utilizadas pelas indústrias de bens de consumo, agências de marketing, entre outros players do B2C – negócios para bens de consumo. O que não se sabe ao certo é até que ponto as práticas que ocorrem nos rastreamentos das pesquisas que fazemos está invadindo ou não nossa privacidade. Os softwares utilizados são diversos e denominados geralmente pelo termo “bot”, abreviatura do termo “robot”. Em linhas gerais, os bots executam tarefas específicas para o fim que foram criados.

Os bots, atualmente, representam mais de 50% do tráfego de toda a internet. Por conta disso, você deve estar presumindo, que deve ter bots com tarefas legais e outros com tarefas ilegais. Exatamente! Os bots com tarefas positivas nos ajudam a encontrar boas ofertas de empresas idôneas, já os com tarefas ilegais são instrumentos de fraudes, roubo de senhas e outras práticas de crimes que tem em comum o delito de invasão de privacidade.

Para se ter uma ideia do poder de influência dos bots, recentemente eles ficaram em evidência em episódios de grande relevância para a vida das pessoas. Me refiro ao plebiscito Brexit, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, bem como as eleições americanas que elegeram o presidente Donald Trump. Foram comprovados que bots eram responsáveis por milhares de perfis falsos em redes sociais, como Facebook e Twitter. Ora, se a tecnologia pode agir contra interesses coletivos dessa magnitude, o que pode fazer com cidadãos comuns? Convenhamos que o estrago pode ser grande.

Observando a Black Friday, que recentemente passou a integrar o calendário de compras dos brasileiros, estive avaliando o que realmente era uma oferta vantajosa, digna de ser tida como um desconto substancial. Analisando todas as ofertas, apenas em uma pequena quantidade havia de fato bons descontos, ao contrário do que ocorre nos EUA, onde os descontos são de fato são grandes, em torno de 50% ou mais.

Notem que essa é uma época onde existe mais dinheiro no mercado por conta do pagamento do 13º salário, pago exatamente no dia da promoção. Tanto é que, até os bancos se engajaram, realizando promoções para financiamentos e serviços como seguros, aplicações financeiras entre outros.

Se o consumidor, de fato, se preparou e fez um planejamento para a aquisição de bens nessa época, acho bastante válido, pois irá adquirir um produto ou serviço que agregará para seu bem estar e conforto, sem se endividar. No entanto, se comprou por impulso, influenciado pelo marketing onipresente e massivo dentro e fora da web, poderá ter que lidar com as consequências negativas do consumismo, falta de educação e consciência financeira.

Aldous Huxley, em seu livro “Admirável mundo novo”, publicado em 1931, descreve uma sociedade hipotética na futura Londres de 2540, ou 632 DF (Depois de Ford), um dos país da administração moderna. Na obra, a tecnologia manipularia a sociedade através de condicionamentos, padrões de comportamento, sendo a busca pela felicidade dos personagens o grande cerne do livro. Estaríamos vivendo uma prévia do que está por vir nessa obra clássica? Só o tempo nos dirá.

 

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