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O ataque de drones à instalação de petróleo da Arábia Saudita

Ataques terroristas com drones

Por Cel. Carlos Marcelo Cardoso Fernandes

No prefácio do nosso livro Operação de Drones: responsabilidades, deveres e precauções dos operadores individuais e empresariais, chamávamos a atenção de que “a utilização dessas aeronaves está se constituindo numa tecnologia disruptiva, capaz de provocar modificações do modo como vemos e interpretamos o mundo, podendo gerar mais valor e segurança, ao mesmo tempo que cria uma nova era no campo das aplicações militares.”

Mais à frente, relatávamos que países sem maior tradição em tecnologia aeronáutica, por seu enorme custo e necessidade de pessoal especializado, podia enxergar na tecnologia dos drones uma forma alternativa e barata para constituir grupos de ataque relativamente eficazes e agressivos.

No dia 14 de setembro desse ano, uma instalação de produção de petróleo em Abqaiq e o campo petrolífero de Khurais, ambos administrados pela empresa estatal de produção de petróleo Aramco, da Arábia Saudita, foram atacados por via aérea, tendo sido utilizados drones e possivelmente foguetes e mísseis.

Essa nova ameaça já está sendo denominada de “interrupção maciça”, com a utilização de enxames de drones transportando cargas explosivas e/ou incendiárias, além da possibilidade de uso de equipamentos desse tipo com sistemas de disparo de armamento.

O ataque de 14 de setembro é um marco na história militar moderna, pois, pela primeira vez, colocou-se em prática o ataque massivo com drones, de forma coordenada e controlada, potencialmente executado por um player não estatal, ou seja, possivelmente por um ou grupos guerrilheiros ou terroristas.

O ataque redundou na paralização de 5,7 milhões de barris de petróleo. Seu impacto econômico ainda está sendo avaliado, haja vista que os mercados mundiais de petróleo e moeda estrangeira ainda estão sentindo as “ondas de choque”, mas incialmente houve um aumento de 10% nos preços mundiais do petróleo.

Além disso, esse ataque pode ser o estopim de um novo conflito armado na região, haja vista que as investigações ainda estão acontecendo para se descobrir se houve ou não a participação de um ente estatal no fato.

O que chama a atenção, contudo, é que uma possibilidade desse tipo já vinha sendo apregoada há muitos anos. As medidas de segurança de instalações e pontos sensíveis, estratégicos ou não, precisam ser refeitas, com protocolos e procedimentos a serem reconsiderados, pois um inimigo pode se ocultar por trás de pequenos aparelhos mas com cargas letais ou capazes de provocar danos consideráveis, interromper a utilização do espaço aéreo ou simplesmente negar a utilização de serviços para a população.

É uma nova era, sem dúvida.

A Houthi drone, possivelmente um desses artefatos baratos foram utilizados em conjunto para o ataque às instalações de processamento de petróleo.

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